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Manifesto: de flor em flor, mas não é sobre abelhas
Manifesto: de flor em flor, mas não é sobre abelhas
Ei, eu sei que pode parecer um início romantizado. Mas juro que dessa vez é mais, assim, como um manifesto, um grito, uma música de protesto. NÃO ESTÁ FÁCIL, eu sei. (E falo “eu” porque agora não escrevo como o marketing do Aru, mas como um professor que também sou e sinto). Não está fácil ser professor nesses últimos anos. No entanto, também não quero que seja um baita peso falar disso. Quero uma reflexão para que nos juntemos e pensemos juntos aqui: quais são as nossas dificuldades individuais e coletivas?
Vejo, na escola que trabalho, crianças com falta de atenção, ansiosas, com medos, com pensamentos adultizados e que muitas vezes se perdem entre tantos estímulos e problemas que, nos fazem pensar, esse problema não deveria ser meu. Mas sei que tem aquela crise geral na educação: indisciplina, falta de respeito, ambientes inapropriados, falta de material e assim segue… Parecemos uma abelha cansada. (E bota cansada nisso). Os obstáculos são outros agora. Tiramos o celular, EBA! Contudo, as crianças parecem responder de várias formas a isso. Será que a falta de interpretação de texto é a febre de uma doença social muito mais profunda?
Retratos da Leitura no Brasil
A resposta, meus colegas, é um sonoro e assustador SIM. O que sentimos no dia a dia é o retrato do Brasil, pintado em números pela 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. Se eu precisava de um motivo para esse manifesto, os dados me deram: 53% da população não leu um livro sequer nos últimos três meses. Somos, oficialmente, um país de não-leitores. Perdemos a batalha pelo tempo livre para a internet e os videogames. Nós tiramos o celular na sala, uma vitória tática, mas estamos perdendo a guerra estratégica nos quartos e sofás do país.
E a essa crise, se soma outra, talvez ainda mais silenciosa: a perda inestimável do nosso contato com o que é vivo, com a natureza. É aqui que o meu desabafo encontra um respiro. Nem todos os professores tiveram a vivência de ir a um acampamento com seus alunos. Eu não só tive esse privilégio, como tenho a oportunidade de viver em um e ser professor ao mesmo tempo. Vejo o quanto o acampamento educativo me fez crescer como educador, porque me permite enxergar para além das lousas e carteiras. Há um significado profundo em se relacionar com o mundo natural, em entender visceralmente que não somos à parte dele, e sim parte dele.
Sobre Vivências
Isso fez toda a diferença. Por isso, me sinto apoiado, por ter o Aruanã como fonte de resistência nessa luta contra um sedentarismo que é, ao mesmo tempo, físico e do pensamento. O que na escola podemos ensinar, muitas coisas, no Aru, podemos vivenciar. O desenvolvimento da comunicação, as resoluções de problemas, os tantos conflitos internos por ficar longe do celular… Ver a árvore é muito diferente de apenas ler sobre ela. É tudo muito diferente.
Um manifesto não serve para lamentar a derrota, mas para organizar a resistência. E a nossa começa aqui: na reconexão entre o corpo e a mente, entre a página e a terra. Precisamos ser o elo que mostra que a vivência enriquece a leitura, e a leitura dá sentido à vivência. Precisamos, juntos, reerguer a nossa colmeia.
Desejo mais que um feliz dia dos professores e das professoras, mais reconhecimento, mais valorização e muito carinho de nós para nós mesmos. De flor em flor, polinizaremos nossas boas ações.
Com amor,
Thiago – Piolho







