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#48 Aruanews: entre o peso e o voo ⚖️
#48 Aruanews: entre o peso e o voo ⚖️
Chegamos àquela época do ano em que o mundo adora pendurar plaquinhas de “fechado para balanço”. É a hora de contar estoques, somar moedas e ver o que sobrou na caixa. Mas, pensando bem, essa lógica fria de “parar para conferir” não combina muito com a gente aqui no Aruanã.
Fui buscar a origem dessa palavra e descobri que balanço vem do latim bilancia — bi (dois) e lanx (pratos). Originalmente, é sobre o equilíbrio entre dois lados. Mas a língua é viva e curiosa: com o tempo, a mesma palavra que servia para definir o peso exato e estático de algo, passou a definir o movimento mais gostoso da infância.
Para o contador, o balanço é uma foto parada, um saldo final. Para a criança (e para o marinheiro), o balanço é movimento. É a prova de que se está navegando, é o vento no rosto, é o frio na barriga de ir lá no alto e voltar.
O nosso “balanço” de fim de ano não é sobre contar o que acumulamos nas prateleiras, mas sobre sentir o ritmo do que vivemos. E que ritmo! É aquele momento de, como no brinquedo de praça, jogar o corpo para trás só para pegar impulso e ir mais longe na próxima ida.
Olhando para os meses que passaram, a gente vê o peso dos pratos: os desafios de um lado, as gargalhadas do outro. Mas, principalmente, a gente sente que o movimento não parou. Que a oscilação entre o planejado e o vivido foi o que nos manteve de pé.
Então, que venha o próximo ciclo. Estamos prontos para o impulso.

Caminhando pelo Aru com a Yoda
AU! Parem as máquinas (ou melhor, parem de coçar a orelha)! Eu presenciei uma cena chocante esses dias e meu faro de detetive apitou na hora.
Estava eu fazendo minha ronda de segurança, garantindo que nenhum sagui roubasse banana, quando vejo o Luciano (o moço da consultoria Piavoré) carregando uma pilha gigante de cestos de lixo. Eram muitos! Um em cima do outro! Na hora, minhas orelhas ficaram em pé: “Mas gente? Será que é um sequestro de lixeiras? Será que ele precisa de uma pata amiga pra carregar tudo aquilo? Ou será que ele vai levar tudo pra casa dele?”.
Eu fiquei ali, pêlo-plexa, tentando entender se eu latia para impedir o “roubo” ou se abanava o rabo para ajudar.
Mas aí, com meu super ouvido biônico, fui escutar a conversa e entendi tudo. Não era roubo, era estratégia! O Aruanã entrou numa missão ousada: ser o primeiro acampamento com selo Lixo Zero do Brasil!
A lógica é a seguinte (e achei esperta): tiraram os cestinhos de perto das mesas de propósito. Sabe por quê? Porque o lixo tem que “incomodar”. Se o cesto tá fácil, o humano joga tudo lá sem pensar. Agora, tendo que levantar e levar até a estação principal, eles são obrigados a pensar onde cada coisinha vai. É o fim do “joga fora”, porque, vamos combinar, “fora” não existe, né? O planeta é um só (e é o meu quintal gigante).
E tem mais! Aqueles cestos cinzas, onde ficavam os restos de comida (que eu, particularmente, achava muito cheirosos), também rodaram. Agora, nada de comida vai pra aterro sanitário. Vai tudo para a compostagem.
Aliás, um adendo canino sobre a compostagem: o cheiro daquilo é maravilhoso, um perfumance de terra molhada com casca de fruta, mas a regra é clara e dizem que eu não posso fuçar lá. Uma injustiça com a minha pessoa, mas dizem que é tudo por uma boa causa.
Então, se vocês virem os cestos sumindo, não se assustem! Ninguém enlouqueceu. Estamos apenas arrumando a casa (e o planeta). Woof! 🐾


“manter em pé o que resta não basta”
A dica de hoje vem de uma música que, vira e mexe, compõe a atmosfera aqui do Aruanã. Refloresta, do Gilberto Gil, toca numa ferida exposta: “manter em pé o que resta não basta”.
Essa letra, que carrega uma verdade difícil de ignorar, virou livro pelas mãos do Daniel Kondo. Em meio aos debates da COP 30, a obra corta o ruído e vai ao que interessa: a urgência de regenerar. O livro nos lembra que não adianta apenas proteger o que sobrou; precisamos de uma postura ativa para reconstruir o que foi perdido.
Gil e Kondo criam uma narrativa visual que dispensa grandes discursos. É um lembrete visual de que o verde não é cenário. Fica a sugestão para quem quer entender que, no fim das contas, “o jeito é compreender que já basta / e replantar a floresta”.

A vida, a química e o caminho para um recomeço…
A compostagem já faz parte da história do Aruanã. Mas, nesse processo de ter mais consciência e responsabilidade com os resíduos que geramos, na busca pelo selo Lixo Zero, percebemos que era hora de dar um passo além. Queríamos mais técnica, mais aprofundamento.
Nesta semana, guiados pelo consultor Luciano da Piavoré, recebemos o Adriano, da Planta Feliz Adubo, para um treinamento que foi, acima de tudo, uma aula sobre refinar o equilíbrio. O objetivo foi envolver toda a equipe e mostrar que sempre dá para melhorar a nossa receita.
Revisitamos o conceito de que a própria palavra compostagem entrega o segredo: trata-se de criar um composto, uma união. O desafio agora é garantir o encontro entre o seco (o carbono, as folhas, a estrutura) e o úmido (o nitrogênio, as cascas, a energia).
Quando esses dois elementos se encontram na medida certa — e com a técnica correta que aprendemos —, a reação bioquímica acontece com muito mais eficácia: a pilha esquenta de verdade. É a vida microscópica trabalhando para transformar o que sobra em recurso.
Agora, com a mão na massa (e na terra) e a equipe toda sintonizada, dominamos essa alquimia de transformar restos em adubo de alta qualidade, garantindo que o ciclo que alimenta nossa horta gire com aproveitamento total.🌳
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Obrigado por estar com a gente até aqui. Nos vemos mês que vem!







