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Aruanews #47 Aruanews: o que se lê sem saber  👓

#47 Aruanews: o que se lê sem saber 👓

31 de outubro de 2025

#47 Aruanews: o que se lê sem saber  👓

Já pararam pra pensar em como existem muitas formas de ler o mundo? Ler o mundo não é sobre folhear um livro, mas sobre percebê-lo com todos os cinco sentidos. É uma leitura que fazemos o tempo todo, muitas vezes sem notar, e que define como percebemos o que está ao nosso redor. 😍

Agora, imagine as crianças. Seus olhinhos curiosos vão, literalmente, engolindo tudo o que lhes é oferecido. É essa leitura de mundo que constrói o repertório, que instala informações direto no inconsciente. As crianças, muito mais do que nós, são mestras em aprender sem que precisemos “ensinar” de forma explícita.


Eu vejo com meus olhinhos…

O Aruanã não é um livro, mas entra perfeitamente nesse “balaio da leitura”. Por aqui, provocamos essa brincadeira de observar e deixar a imaginação fluir, onde cada acontecimento traz um sentido amplo do que se pode viver. Não precisamos explicar o conteúdo, porque o conteúdo está ao alcance das crianças: as árvores, os animais, os insetos, a trilha, a grama e até a experiência de dormir fora de casa, que para muitos é a primeira vez.

Tem uma brincadeira super simples que exemplifica isso, o “Eu vejo com meus olhinhos…”. Uma criança por vez dá uma dica de algo que está vendo na paisagem, algo discreto e interessante. Alguns demoram para achar, outros veem de primeira. É um exercício puro de observação. 👀

Aqui no Aru, eu também brinco. E eu vejo com meus olhinhos… crianças correndo, se sujando, aprendendo a dividir, sorrindo sem motivo aparente. Eu vejo com meus olhinhos… crianças aprendendo a ter paciência, descobrindo seus limites, resolvendo problemas, escutando a natureza. Eu vejo o frio na barriga de um jogo noturno e o entendimento, mesmo que inconsciente, de que elas fazem parte de tudo isso.

Eu vejo com meus olhinhos as crianças aprendendo a amar o meio ambiente antes mesmo de ouvirem que precisam salvá-lo. 🌏


Caminhando pelo Aru

Caminhando pelo Aru com a Yoda

AU! Cês não vão acreditar no reality show que eu assisti essa semana, ao vivo e a cores. Estava eu, belíssima, no meu banho de sol sagrado ali perto do refeitório (meu lugar favorito) bem perto da nespereira – aquele lugarzinho que bate o sol perfeito das 15h, sabe? – quase entrando no meu quinto sono, quando começa um AU-ê!

Um quiprocó dos bravos! Levantei as orelhas na hora (o radar de fofoca aqui é potente). Fui lá, na miúda, conferir o que era. E não é que o Pica-Pau, aquele vizinho barraqueiro, estava arranjando a maior encrenca com a família de saguis? Um barraco! O Pica-Pau gritava “TOC-TOC-TOC” (que na minha tradução canina é algo como “o quintal é meu!”) e os saguis pulavam de um lado pro outro, fazendo aquele squeak-squeak de quem não vai levar desaforo pra casa.

A novela estava impagável! Eu já estava abanando o rabo, sentadinha, pronta pra ver quem ia ganhar o argumento.

AÍ… tinha que aparecer humano, né? A Tia Cau chegou de fininho com aquele retângulo brilhante na mão, tentando filmar o furdunço. Ela acha que é diretora de cinema. Claro que os artistas não gostaram da “produção”. O Pica-Pau olhou feio, os saguis se sentiram acuados e acabou a briga na hora! Poxa, Tia Cau! Estragou o final! Cada um foi pro seu lado, emburrado.

E quem ficou mais indignado que eu? O Caxinguelé! O esquilo estava de camarote, lá no alto da nespereira, comendo uma nêspera como se fosse pipoca. Quando a briga acabou por causa da Tia Cau, ele parou de roer, me olhou e balançou a cabeça. Juro, ele estava pêlo-plexo com a falta de noção da plateia. Francamente. 🐾

Tirinhas do Aru

Dica do Aru

 

“O que você vai ser quando crescer?”

É o que costumamos perguntar para as crianças. Mas, carregada nessa pergunta, vem a armadilha de esquecermos que elas não são um projeto de futuro. É a nossa tendência em colocar nelas o anseio para que “sejam alguém na vida”, como se já não fossem. Porque elas já são.

O livro “Quando a gente crescer”, de Sandrine Beau e Nicolas Gouny, faz essa reflexão ao celebrar as profissões mais inusitadas. Ele nos mostra que a criança deve ter o direito de sonhar com o que quiser. Elas ainda terão muito tempo para pensar no que vão fazer pelo resto da vida. Na infância, a projeção do futuro pode (e deve) vir sem o peso da expectativa dos adultos.

Quando a gente crescer vou ser… Bolheiro, pendurador de estrelas, limpador de testa de girafas, pintor de listras de zebras… São algumas das profissões almejadas pelas crianças do livro. 🫧

O inesperado acontece justamente aí. É uma provocação, um delicioso non sense que nos afasta daquela lógica de que a criança se sinta obrigada a pensar apenas em profissões ligadas a dinheiro ou status.

É um lindo lembrete de que, na infância, sonhar não precisa ter utilidade, basta ter imaginação.

 

Projetos Aruanã

Dar à criança, a chance de ler o mundo da natureza 🪻

Ao pisar na grama, os pés fazem a leitura de algo indescritível, uma sensação de maciez e conforto. É bem mais profundo, raízes, terra, cheiros, sabores, memórias e as milhares de cores que nos tocam.

A Carol, nossa diretora de sustentabilidade, perguntou na palestra do Simpósio da ABAE, que ela fez com o Laza da Fazenda Faraó, “Qual é a memória mais antiga que você tem com a natureza?” Assim, de lembrar, alguns podem ter dificuldade, mas certeza que antes mesmo do que você se lembra, tem leituras bem importantes no seu inconsciente guardadas no seu jardim secreto. “Natureza” e “nós” fazem parte do mesmo livro, da mesma história e ler esse livro é mais importante, hoje, para a criança do que salvá-lo. Até porque uma coisa depende da outra.

O projeto do Aru é dar esse livro para as crianças não só lerem, mas fazer parte dele protagonizando essa narrativa ambiental. O primeiro fascículo é “Criança e Natureza”. 💚

 

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Obrigado por estar com a gente até aqui. Nos vemos mês que vem!